Reprodução
Primeiro, é muito elucidativa a entrevista que o nosso técnico Dunga concedeu à Zero Hora no último final de semana. Em vários pontos e por isso vale a pela ler. O que ele fala ultrapassa o âmbito do futebol e então temos a visão do Dunga de alguns aspectos da estrutura do Internacional como organização.
"O que tem de falar mais alto aqui é o Inter, não é o Dunga, o Carlos, o Pedro. O Inter tem de ser maior."
Confesso que quando do anúncio de sua vinda como treinador, fiquei receoso. Um pouco de vacina pelo histórico recente de pensamento mágico de se achar que a simples condição de idolatria pelo que se conquistou em campo seria suficiente para assumir a casamata. Outro tanto pelo histórico explosivo do nosso treinador, principalmente quando se tratava do relacionamento com a imprensa.
"Tem sempre um meio termo. Nem tudo o que falam é a verdade, tanto para o bem quanto para o mal."
"Não sou melhor ou pior. Sou só diferente."
Pois o que se tem visto é um Dunga preparado. Eu temia que situações como àquela de se abaixar junto a um microfone de campo e soltar o famoso "Fizeram uma reunião na Federação... Pergunta para o Guerrinha!" fossem recorrentes, temia que fatos assim se sucedessem. Mas não: ele reconhece a própria falha do episódio e as coisas vem acontecendo dentro de uma normalidade. Claro, colabora o fato que o trabalho vem dando resultado. Há um Brasileiro pela frente e o que se espera é poder navegar por ele com tranquilidade, porém, sabemos, é uma competição dura e extensa e a possibilidade de a pressão aumentar é provável.
"Tudo é programado. Se vai dar certo ou não é outra coisa. Mas é tudo programado."
"Entre o que eu quero e acho que é bom e a realidade, tem muita diferença."
"O torcedor tem de saber a verdade."
Do que ele fala sobre a imprensa, tem a questão das críticas. Ele se sente perseguido. Em muitos casos deve ser verdade e em outros não. Sem entrar no caso particular do Dunga, parto para o segundo fato desse texto. Justamente a questão da perseguição da imprensa. Afinal, quem não conhece colorados convictos que na imprensa há um trabalho organizado, premeditado para desestabilizar o Inter e em benefício do rival? Eu não creio nisso. E por isso tive que rir ao ver um vídeo-paródia em que a mesma situação existe, mas do outro lado. Afinal: quem é perseguido? Até nisto rivalizamos.
Por fim, o terceiro fato. Um caso extremo de controle da informação. O Atlético Paranaense, que perdeu o título estadual para o Coritiba, mas jogando todo o campeonato com um time sub 23 e que rejeitou a cota de TV para transmitir seus jogos, chegou a um acordo com a emissora local para passar a final. O valor ao que parece era baixo mesmo se comparado por exemplo com o Gauchão, porém fala-se também lá no Paraná que poderia ser uma resposta a reportagens do jornal do mesmo grupo que questionavam as obras da Arena da Baixada para a Copa (e que receberam dinheiro público).
Durante todo o campeonato, os torcedores do Furacão acompanharam seu time via TV CAP e Rádio CAP. E, se dependesse da diretoria, só por lá, pois o acesso de setoristas, entrevistas e afins estava restrito. Uma condição que levou o controle de informação do Atlético-PR ser comparado ao da Coreia do Norte, aquela que não podia passar os jogos de sua seleção na Copa do Mundo ao vivo e que vem informando sua população sobre energia e armas nucleares, relação com a Coreia do Sul e EUA somente pela versão oficial do governo. É salutar para o torcedor deste time ter acesso às informações do clube somente pela versão institucional de sua diretoria (política)?
Ela acha que sim, eu acho que não.
Que os clubes devem potencializar, valorizar seus meios próprios de comunicação é certo. Porém isso não é equivalente a cercear o trabalho da imprensa. Que a atuação da imprensa por vezes desestabiliza um clube é notório, porém isso vai longe de ações deliberadas para este fim. Como diz o Dunga, tem sempre um meio termo.
"Eu não sou contra a informação. Só acho que ela tem de ser dada no momento certo."
Dunga é o autor das citações espalhadas ao longo de todo o post.










